09/09/2008

Thievery Corporation > Radio Retaliation

Thievery Corporation Radio Retaliation Autographed Giveaway











Get your own signed copy of Thievery Corporation's forthcoming album Radio Retaliation!

You heard right. Properly Chilled is proud to bring you this giveaway where you just might be one of a select few Properly Chilled members to win your own autographed copy of Thievery Corporation's Radio Retaliation. The album will be released on Sep. 23, 2008.

The deadline for entry in this giveaway is midnight (US Pacific) on Sep. 20, 2008
(any entries received afterward will not qualify)

About Radio Retaliation
August 13th, 2008 - Internationally acclaimed artists Thievery Corporation are set to release their 5th studio album entitled Radio Retaliation on September 23rd on ESL Music. Thievery Corporation, comprised of the highly regarded DJ and production duo Rob Garza and Eric Hilton, are best known for fusing a vast array of cultural influences in their music. This record takes their trademark "outernational" aesthetic to the next level with inspiration from sounds from Jamaica, Latin America, Africa, Asia, and the Middle East.

The album was recorded in the band's hometown of Washington, DC and the vibe is decidedly political which is no surprise given the high profile presidential campaign happening this year.

"Radio Retaliation is definitely a more overt political statement," says Garza of Thievery Corporation. "There's no excuse for not speaking out at this point, with the suspension of habeas corpus, outsourced torture, illegal wars of aggression, fuel, food, and economic crises. It's hard to close your eyes and sleep while the world is burning around you. If you are an artist, this is the most essential time to speak up."

The Act-Ups - Play the Old Psychedelic Sounds of Today

The Act-Ups - Play the Old Psychedelic Sounds of Today

Os Act-Ups são uma banda do Barreiro a fazer barulho desde 2001. O som deles é sujo e directo, aliando a soul encorpada dos Zen Guerrilla à pose glam dos Black Halos. Estes são dois nomes da história recente do garage e do punk que vêm à cabeça quando ouvimos "Play the Old Psychedelic Sounds of Today", ainda que possam não ser influências directas para os Act-Ups. O título do disco não engana: eles são nobres executores da reciclagem sonora, retirando da classe de 70 a vontade de mudar o mundo em três minutos.

Ao terceiro disco, os Act-Ups conseguem soar fresquinhos mesmo que a cartilha punk que seguem já tenha amarelecido com o passar dos anos. É, de resto, nesse passado que não envergonha mas engrandece que eles encontram abrigo. Neste sentido, não são uma banda deste tempo, dominado por música servida em saquetas expresso, antes um excelente pretexto para tentar recuperar essa forma de estar no mundo. Há uns 20, 30 anos, formar uma banda punk significava vociferar a uma sociedade dormente e querer partir tudo ao pontapé. Agora não, agora tudo é mais seguro, é muito mais rede do que trapézio.

Ouvir os Act-Ups em 2008 é acreditar ainda na força explosiva e mobilizadora do punk (e da música). A voz de Nick Nicotine é como um despertador na mente, sobretudo nos temas mais curtos e frontais como 'Pride & Desperation' e '64 Stabs'. As três guitarras e o jogo de percussão despejam gasolina num fogo ateado pelo poderoso single 'Alive Again' e pela latinidade à Clash de 'Rumba Los Chicos'. As linhas do baixo de Tony Fetiche aguentam bem o desatino cortante de 'I Always Knew Your Game Was Wrong, Girl', mas é o fuzz de Johnny Intense que não deixa pedra sobre pedra quando o tema acaba.

A última faixa 'Sad Eyes', que se arrasta por uns surpreendentes oito minutos, tem o acordeão de The Drunk Reporter, tem Pistol Pete a chegar-se à frente na voz e até tem pandeireta. É um tema que parece feito de restos e colagens à boa maneira punk de outrora. Se na primeira metade há alguma coerência assente na pirâmide calma-ruído-calma, a partir da marca dos quatro minutos, o espírito é de jam session e autêntica libertação criativa. Que, mesmo assim, eles não se tenham perdido em amostras balofas de virtuosismo prova que destes Act-Ups ainda podemos esperar muito.

http://cotonete.clix.pt/quiosque/novos_discos/body.aspx?id=390

05/09/2008

Musik For Film

Burning Bowl Records

Musik For Film

This compilation features elusively tight cuts. The kind that you could hear inside an independent movie theatre in Europe. But to call this a cinematic presentation of the finest downbeat and dub is nothing short of an understatement. Most of the artists here were either born in Austria or moved to the mountainous country at some point in their careers. Professor Oz, who brings us the opening number "Whatever the Sun", is one good example. Born in Paris, he eventually relocated to Vienna to meet Sugar B, also credited on the track, and Richard Dorfmeister of Tosca.

Following the inaugural track, punctuated by dub licks and languid beats, is the Viennese electronic scene at its most infatuated. Markus Dohelsky, also performing under the Shanti Roots moniker, lends his reggae-flavored approach to the good skills of Scheibosan, the musical equivalent of a nomad, having played before crowds not only in his native Austria but also in Hungary, Greece and Brazil. Moving up a notch, the record gets all trip-hoppy and scratchy with the Los Angeles-based band Lazy, which was founded by former members of Supreme Beings of Leisure.

But if "Love Robbery" sounds a lot like Portishead circa the 90s, Sin's "Game of Despise" has a true erotic vibe. From the cold Norwegian shores comes the Xploding Plastix (named after Andy Warhols' series of multimedia events that rocked the late 60s) with a furtive yet catchy "Treat Me Mean, I Need the Reputation". By the time the CD player hits two exquisite marks, namely via Stefan Obermaier's funkiness, and See-I's stylistic world journey (the link with Thievery Corporation is obvious), the record hits this listener's most eclectic nerve.

In less than two minutes, All India Radio, actually coming from down under, manages to deliver fat guitar lines and loose beats that exhale a perfume so gallantly pop and movie-like. And while "Tuf Luv Dub" is on it's not difficult to understand why multi-instrumentalist Jamie Saft has such a brilliant résumé, having worked with John Zorn, Laurie Anderson, and the Beastie Boys, among others. That, and the following track "Smoker's Funk", by the Italo-German ensemble The Waz Experience, seem to have been composed under the influence of the kind of weed smoked in spaceships – if smoking was allowed in such endeavors.

The record's final moments are more distractive and thus disruptive, ranging from the conscious sloppiness of Ohm's "Helium Voices" to the raggaready treatment of Austin's Canartic amicably challenging Austrian experimental wizard Karl Stirner, and the electronic dreams in color of Theremin-lovers Sundae Club. "Musik For Film" has so many stylistic deviations that make this material suitable for the most obscure western spaghetti, as well as the hypothetical next chapter of the intergalactic wars.

http://www.properlychilled.com/music/release/profile.php?view=606

04/09/2008

Lil Wayne - Tha Carter III

Lil Wayne - Tha Carter III

Enquanto o hip-hop se tornava moeda corrente entre os miúdos das costas leste e ocidental dos Estados Unidos, florescia uma cena mais localizada a sul do país. O rap sulista despontou em Miami, no final dos anos 80, apoiado em dengosas linhas de baixo e num grande cuidado lírico, e cedo contaminou as cidades vizinhas. Atlanta torna-se o epicentro criativo mas é Nova Orleães que arrecada mais dólares ao estabelecer uma lucrativa linha de montagem. Lil Wayne torna-se filho dessa subcultura ao integrar, ainda adolescente, os Hot Boys.

De então para cá, Wayne foi intervalando as suas edições a solo com uma fervorosa produção de mixtapes, o que lhe valeu um assinalável estatuto junto das bases mais fiéis. Esse culto underground não mais descolou dele até mesmo quando vendeu muito: foi o caso da estreia em nome próprio, com "Tha Block Is Hot" de 1999. Então como agora, o rapper do subsolo pega na tradição soul de Nova Orleães, adiciona-lhe frondosas e suadas batidas e serve tudo numa produção gordurosa e desafiante. Em 2004, começava a escrever o seu "Tha Carter", que vai agora no terceiro capítulo.

Aqui, ele rodeia-se de outros executores da palavra cantada, como Jay-Z (num sonolento 'Mr. Carter'), T-Pain ('Got Money' cresce a partir de um beat que parece retirado do funk carioca e posto de molho num bairro de Luanda) e Babyface (em 'Comfortable', onde só a voz de tinto velho de Wayne rompe a soul feita de veludo e plumas). Há outras mas as restantes colaborações são mais pálidas - a excepção é 'Tie My Hands', a meias com Robin Thicke, que assume a direcção de um petardo lançado às mãos da Administração Bush. É o retrato ora magoado ora acusador de uma Nova Orleães varrida pelo furacão Katrina.

Em 'Dr. Carter', Lil Wayne sampla David Axelrod, reputado produtor que fica entre a pop mais barroca e o jazz infectado pelo funk, o que diz muito da cultura musical do senhor. Wayne é dono de um conhecimento transversal que lhe permite desaparecer num jogo de arqueologia para, algumas faixas depois, reaparecer sob a forma de 'Lollipop', num electro viciante mas que se mastiga e cospe como pastilha elástica.

No entanto, ao contrário de um 50 Cent, que invariavelmente rapa sobre os tiros que levou acima da cintura, Wayne domina a arte da graçola bem engatilhada: em 'Phone Home', jura com voz metalizada que compra o nosso cérebro por uma ninharia. Já sentíamos saudades do hip-hop sem o peso do mundo em cima. Não quer isto dizer que Lil Wayne não tem histórias de pólvora para contar. Aos 12 anos, atirou acidentalmente sobre si próprio quando brincava com uma arma de fogo à frente do espelho. Ele recorda isso em 'Shoot Me Down' com a ajuda de D. Smith, mas não faz desses episódios o que eles não são.

É refrescante ouvir um rapper assim, que se distancia do rótulo de gangster enquanto se aproxima de uma noção quase perfeita de ritmo.

http://cotonete.clix.pt/quiosque/novos_discos/body.aspx?id=388

02/09/2008

Vários - O Melhor do Pop Rock Português 1980-1989

Vários - O Melhor do Pop Rock Português 1980-1989

Olha-se para a capa do disco, lê-se o título e logo nos vêm à memória aquelas edições de hipermercado, vendidas a preço de saldo, que o pai de família compra por atacado apenas para acumularem pó na estante da sala de estar. E assim se fazem colecções com os grandes mestres do jazz, os maiores êxitos da revista portuguesa e sons do oceano para descanso zen. Poderia este ser um desses discos, que têm a relevância de um pequeno grão de areia numa imensa praia? Sim, mas pelo menos aqui houve algum rigor e critério na selecção, qualidades que escasseiam nas edições do género.

Pressiona-se o botão e o disco começa a devolver aquelas canções estafadíssimas que podemos ouvir nas rádios estacionadas nos anos 80 - ou seja, quase todas. Assinado pelo jornalista e profissional de rádio Nuno Galopim, este é o quarto volume de uma série que começou em 2003. Por ser uma compilação de pop/rock, mais ainda por ser um trabalho de retrospectiva, compreende-se a inclusão dos GNR (com um 'Efectivamente' algo datado) e de António Variações (com a sempre actual 'Canção de Engate').

Quando Lena d'Água nos oferece um doce, torcemos o nariz mas continuamos a perceber. Afinal, isto é pop/rock, ainda que nos tenham prometido "o melhor do pop/rock português", mas enfim suporta-se. No entanto, já custa mais levar com os 'Dias Atlânticos' dos Ban ou com 'Só Gosto de Ti' dos Heróis do Mar. Esse é um passado que preferíamos esquecer.

Para sempre queremos lembrar a irrepreensível prestação de Anabela Duarte em 'L'Amour Va Bien Merci' dos Mler Ife Dada, quando Cascais chegou a Paris e se perdeu de amores pela "chanson" lustrosa de Serge Gainsbourg. O tema recupera também o imaginário retro e deliciosamente nostálgico do Rock Rendez-Vous. Importa perguntar onde pára um concurso deste tipo nos dias de hoje.

A 'Paulinha' dos Peste e Sida, o 'Júlio é um Duro' dos Albatroz e até 'O Negro do Rádio de Pilhas' de Rui Veloso são todos personagens de uma malha social que no essencial vê passar e não intervém. Valem enquanto retratos de vidas mesmo que não nos aconcheguem com a manta quentinha da memória a que não custa nada voltar. E como os Rádio Macau regressaram já não temos que tomar 'O Elevador da Glória' de cada vez que a saudade aperta. Mas a viagem é sempre muito compensadora, menos compensador é sermos apanhados pelo Radar Kadafi e 'Eu Sei que Não Sou Sincero', uma história de amor que faz corar de vergonha.

Para o final ficaram reservados dois temas que conseguiram romper a membrana do pop/rock para paisagens mais alternativas. Anamar e os Golpe de Estado foram pop e rock sem o serem verdadeiramente. A nossa Ana Maria Alfacinha, que saiu de Lisboa e acabou a cantar numa banda punk em Gotemburgo antes de regressar, canta 'Feia Bonita' com uma voz que tacteia o ar em vez de se desprender num sopro. Raramente a pop portuguesa soube cantar tão bem e tão solta! E os Golpe de Estado fecham o disco com 'Rev 25', que mete numa trituradora rítmica e cerebral as vozes de Abril difundidas pela rádio. Impressionante exercício de electrónica descomplexada que lida com um episódio formador da nossa história contemporânea.

No que interessa, este é um disco cumpridor mas que arrisca muito pouco. Por isso, tirando o surpreendente final e um ou outro tema lá mais para cima, isto é música que facilmente se ouve no FM actual. É um documento histórico mas sem o peso de um documento histórico, que se perde na espuma dos dias. Talvez porque o travo vagamente revisionista sabe a amargo em mais de metade do disco.

http://cotonete.clix.pt/quiosque/novos_discos/body.aspx?id=386