10/06/2009

o namorado da amiga

Uma noite, já de madrugada, ouvi no auto-rádio alguém ler um texto do Pedro Mexia sobre a rapariga feia. Ela seria a forma de chegar à miúda gira sua amiga. Era com ela que tínhamos de negociar as migalhas que conseguiríamos com a miúda que nos interessava realmente. Ela, a feia, tinha um poder social notável e uma rede de relações do tamanho da lista telefónica.

(Não era exactamente isto, nunca é. Vá lá, a noite já ia longa...)

Ora, tudo isso está muito certo, tudo isso será verdade. Acontece que a rapariga feia não tem importância nenhuma quando comparada com essa instituição bizantina, essa enormidade barroca, que é o namorado da amiga (gira!). Este é uma entidade infinitamente mais aborrecida, castradora e inibidora do que a miúda feia. Como se já não bastassem todos os obstáculos para chegar à miúda gira, ainda tinha de se erguer essa figura monstruosa, sensaborona e que vive uma existência de privilégio e excepção nem sabemos bem como. O namorado da amiga, sendo a amiga a miúda gira, não tem noção da sombra que nos faz: a sombra moral (sim, há sempre uns trocos de questões morais a considerar), a sombra do passado que já tem com ela, a sombra de uma vida a dois com que ele foi injustamente presenteado. Para chegarmos à miúda gira através da rapariga feia, temos que primeiro agradar esta e cair-lhe nas graças. Não é certo que o prémio seja o mesmo quando tentamos agradar o namorado da amiga.

O namorado da amiga mal sabe o mal que nos faz à saúde. Não se faz o que ele nos faz!


1 comentário:

Unknown disse...

Ou o amigo feio e a namorada gira... Dá Deus nozes sempre a quem não tem dentes!... =P