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03/05/2009

as singularidades do manoel

Não sou daqueles detractores da obra de Manoel de Oliveira que lhe ridicularizam a imobilidade dos planos. Até já me diverti muito (nos vários sentidos do termo) a ver os filmes dele. Não me chateia nada a quase ausência de movimento de alguns planos em muitos dos seus filmes. Mas também não tenho paciência para a conversa do Manoel como o único cineasta centenário em actividade, do sublimar pelo sublimar. Como qualquer artesão (escrevo isto no sentido lato de quem faz arte), ao fazer filmes vem a jogo e merece ver o seu trabalho atacado ou elogiado. E, no caso de "Singularidades de uma Rapariga Loira", há apenas a reter dois planos - um da janela, em que Luísa Vilaça olha o substituto do amante através da cortina (vendo o amante e não o outro por ser baça a cortina), e outro, o final, congelado nesta foto:



Quanto ao resto, o filme é um bocejo enorme e um desperdício de dinheiro que só acontece por Manoel ser Manoel. Ao menos, João César Monteiro tinha piada, até mesmo quando assaltava o erário público. Há muito que Manoel de Oliveira a perdeu.


12/04/2009

GZA, RZA e Bill Murray








Esta é uma das passagens de "Café e Cigarros", de Jim Jarmusch, que mais gosto de rever. Mas esta (Iggy Pop + Tom Waits) é a melhor!


14/03/2009

l'heure d'été

Não estava preparado para ver a minha Juliette Binoche loira e num filme aborrecido como a eucaristia dominical:

Juliette Binoche

A parte boa é que ninguém lhe tira aquele belo nariz arrebitado.

Juliette Binoche


22/02/2009

um americano em paris

Leio em título que "Elza Soares voltou a cantar para não enlouquecer". Eu, que não tenho especial talento para nada, não sei o que fazer para não voltar a enlouquecer. Por isso, mato horas a ouvir podcasts, a ler sobre as cidades do imperador mongol Kublai Kan nos relatos de Marco Polo, a comer chocolate para combater a depressão. Ainda arranjo tempo para inventar novos ódios. O mais recente é André Murraças, o rapaz do calendário da Radar. Não há paciência para aquilo!

E que se lixem os Óscares! Em noites assim, lembro-me sempre do belíssimo título do lendário Tiger Man: "Fuck Christmas, I got the blues". (link)

Ontem passou "Um Americano em Paris" na televisão. Aprendi a gostar de musicais e de Vincente Minnelli numa aula de cinema em que vi "Brigadoon":





Quanto aos Óscares, devo dizer que nunca vi um filme de Gus van Sant de que não tivesse gostado. Por isso, "Milk" ganha sempre. Nem que seja para mim:






07/12/2008

Eros

"Eros" não é um filme, são três. Três filmes sobre o desejo pela lente de três realizadores maiores do que as palavras ou os próprios filmes. Primeiro, Wong Kar-Wai, depois Steven Soderbergh e ainda Michelangelo Antonioni. O segmento mais tocante é o último, de Antonioni. Foi uma das últimas coisas que filmou. Morreu no ano passado. (2007 foi um ano mau: no mesmo dia 30 de Julho tirou-nos Antonioni e Ingmar Bergman.) Na primeira parte do filme, uma mulher veste uma blusa vermelho-transparente que mostra o seu bonito peito pequeno. Isto é filmar o desejo. Como o é filmar uma outra mulher, amazona e cheia de sexualidade. Há um homem, que até é o elo de ligação entre as duas, mas não interessa para nada.

Eros

01/12/2008

Paranoid Park e o cinema polaco

Acabei de ver o "Paranoid Park" pela terceira vez este ano. A primeira foi num cinema de arte e ensaio (já ninguém diz isto, é pena!) em Manhattan, estava um frio de neve. A segunda foi já em Lisboa, numa das reposições de Verão do Nimas. A terceira foi há pouco na televisão. Ninguém filma a adolescência nos corredores de liceu como Gus Van Sant. Naquele seu estilo estilhaçado, de narrativa que se mostra aos poucos e nunca respeita a cronologia. Imagens arrastadas a pontuar as emoções daqueles miúdos. Quase tudo se passa num skatepark ou por causa do que se passou perto do skatepark naquela noite. Mas há uma passagem, perto do fim, que me eriça sempre o pêlo da nuca. Quando em fundo toca "Angeles" do Elliott Smith:

someone's always coming around here trailing some new kill
says i seen your picture on a hundred dollar bill
and what's a game of chance to you, to him is one of real skill
so glad to meet you
angeles


Paranoid Park

Gus Van Sant e Elliott Smith são de Portland. Um ainda vive, o outro já não. Estava na faculdade, numa das salas de informática da FCSH, quando li que o Elliott Smith tinha espetado uma faca no peito...

No sábado, fui ao cinema ver "Quatro Noites com Anna" de um tipo polaco chamado Jerzy Skolimowski. Sempre me intrigou o realismo brutal e ostensivamente violento do cinema polaco. Lembrei-me imediatamente de ter passado uma parte da adolescência a ver filmes na TV Polonia, no glorioso tempo da televisão por satélite. Eu só via aquilo porque tinha legendas em inglês.

Este fim-de-semana, por duas vezes, recordei com saudade a minha adolescência. Estou a ficar velho!