"A senhora Presidente não mata ninguém. Não odeia ninguém. Para odiar faz-se necessário um coração. Espero que gostes de arroz de pato." (passagem de Barroco Tropical destacada por Alexandra Lucas Coelho, na entrevista com José Eduardo Agualusa)
"Acho que este livro não vai ser muito lido pelas pessoas no poder em Angola, porque há poucas pessoas no poder que realmente lêem." (JE Agualusa in Ípsilon, 5 Junho 2009)
Gosto muito de pessoas corajosas. O Agualusa é corajoso. Quando saiu há dois anos, li As Mulheres do Meu Pai entre Lisboa, New Jersey e Nova Iorque. Quando sobrevoava o Atlântico também li sobre o Faustino Manso que, ao morrer, deixou sete viúvas e 18 filhos. O Agualusa lê-se em trânsito, ele que anda sempre entre Lisboa, Luanda e o Rio.
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09/06/2009
12/04/2009
vasto mar de sargaços
Estou a ler o livro com este título de Jean Rhys.

Começa assim:
Dizem que cerremos fileiras quando as dificuldades chegam, e assim fizeram os brancos. Mas nós não estávamos nas fileiras deles. As damas da Jamaica nunca tinham dado a sua aprovação a minha mãe, «porque ela muito como ela só», dizia Christophine.
Não sei ainda como acaba, estou a metade de saber. Mas na contracapa lê-se:
Perdida entre estranhos numas Antilhas tão fascinantes como opressivas, vítima de diversos infortúnios familiares e minada pela incompreensão e desprezo do marido, Antoinette vai perdendo tudo o que amava, incluindo a segurança necessária para manter o equilíbrio mental...

Começa assim:
Dizem que cerremos fileiras quando as dificuldades chegam, e assim fizeram os brancos. Mas nós não estávamos nas fileiras deles. As damas da Jamaica nunca tinham dado a sua aprovação a minha mãe, «porque ela muito como ela só», dizia Christophine.
Não sei ainda como acaba, estou a metade de saber. Mas na contracapa lê-se:
Perdida entre estranhos numas Antilhas tão fascinantes como opressivas, vítima de diversos infortúnios familiares e minada pela incompreensão e desprezo do marido, Antoinette vai perdendo tudo o que amava, incluindo a segurança necessária para manter o equilíbrio mental...
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15/02/2009
italo calvino
Estou a ler "As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino. Vi o livro na quinta-feira no primeiro quiosque que visito de manhã, antes de apanhar o comboio. Estava a um euro (sim, um euro!) mais o preço da revista. Comprei e recuei até ao meu nono ano, quando tinha 13, 14 aninhos. Havia um dia da semana em que fazíamos o clube de leitura nas aulas de Português. Andava por lá um título, "Se numa Noite de Inverno um Viajante", que me intrigava por duas razões: 1) o título prometia muito mas nem sequer tinha verbo, 2) o livro pertencia à Ana, uma miúda gira e enigmática. Num desses dias, peguei no livro e levei-o para casa para ler. Aí estava uma óptima desculpa para meter conversa com ela. Acho que nem cheguei a meio e desconfio que percebi muito pouco da escrita deste italiano nascido em Cuba. Eu e a Ana ficámos amigos, claro. Mas nada mais do que isso. Sempre fui muito tímido.
Um dia, depois de uma visita de estudo, fiquei a saber por um colega nosso que a Ana não tinha pai. Havia outra mulher além da mãe, uma traição ou uma série delas e, numa bela manhã, o irmão da Ana foi encontrá-lo na garagem, dentro do carro. Morto. Tinha-se enforcado. No Dia do Pai do ano lectivo em que nos conhecemos, a Ana disse que queria falar comigo. Eu fui falar com ela, temendo que o assunto fosse o pai. Era mesmo. Demos muitas voltas ao campo de futebol. Ela falou, falou, torcia as mãos enquanto falava. E eu ao lado dela, chocado e sem saber o que dizer. Pergunto-me o que andará ela a fazer agora. Gostávamos os dois de Nirvana, muito! As minhas memórias da adolescência são quase excessivamente trágicas.
Um dia, depois de uma visita de estudo, fiquei a saber por um colega nosso que a Ana não tinha pai. Havia outra mulher além da mãe, uma traição ou uma série delas e, numa bela manhã, o irmão da Ana foi encontrá-lo na garagem, dentro do carro. Morto. Tinha-se enforcado. No Dia do Pai do ano lectivo em que nos conhecemos, a Ana disse que queria falar comigo. Eu fui falar com ela, temendo que o assunto fosse o pai. Era mesmo. Demos muitas voltas ao campo de futebol. Ela falou, falou, torcia as mãos enquanto falava. E eu ao lado dela, chocado e sem saber o que dizer. Pergunto-me o que andará ela a fazer agora. Gostávamos os dois de Nirvana, muito! As minhas memórias da adolescência são quase excessivamente trágicas.
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17/12/2008
Pastagens do Céu
Estou a ler "Pastagens do Céu" de John Steinbeck (1902-1968), um livro com 76 anos mas que envelheceu muito bem (os livros também ficam velhos e amarelos como as pessoas). Steinbeck tem uma escrita prenha de ritmo, tem aquela capacidade que a cultura anglo-saxónica de crítica literária chama de "page-turner". Aqui, ele desfia contos de decadência, percorridos por uma ironia requintada e uma ruralidade deliciosa (mesmo para quem, como eu, tem pavor e se sente oprimido em lugares pequenos). Se eu tivesse nascido no campo e não houvesse qualquer hipótese de fugir, teria sido escritor. Estou certo disso. Este é o Steinbeck, um escritor californiano, claramente influenciado pelas letras russas e existencialistas de Fiódor Dostoiévski:

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Hoje prometi que não ia falar sobre a candidatura de Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa. Por isso, não falo sobre a candidatura de Santana Lopes à CML.
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Fico em estado de semi-choque quando vejo uma mulher bonita a andar de autocarro ou metro. Assalta-me sempre este pensamento infantil: "Mas porquê? Não podes simplesmente levantar voo?!" Felizmente para todos, fico de bico calado. Ainda que me dê particular gozo tornar o dia das pessoas mais surreal do que um quadro do Dali. É uma qualidade que tenho. A outra é ser capaz de escrever longamente sobre coisas inúteis. Cada um com a sua especialidade. Mas a verdade é que me aborreço de morte.

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Hoje prometi que não ia falar sobre a candidatura de Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa. Por isso, não falo sobre a candidatura de Santana Lopes à CML.
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Fico em estado de semi-choque quando vejo uma mulher bonita a andar de autocarro ou metro. Assalta-me sempre este pensamento infantil: "Mas porquê? Não podes simplesmente levantar voo?!" Felizmente para todos, fico de bico calado. Ainda que me dê particular gozo tornar o dia das pessoas mais surreal do que um quadro do Dali. É uma qualidade que tenho. A outra é ser capaz de escrever longamente sobre coisas inúteis. Cada um com a sua especialidade. Mas a verdade é que me aborreço de morte.
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