Se eu gritar, estou quase certo de que ninguém me ouve. Realmente. Porque eu não grito. Nem choro. Mas queixo-me muito. Estou sempre a queixar-me. Estou um bocado farto de me queixar e de estar farto. De me queixar. Nunca mais chega o Verão. Devia era migrar para o Hemisfério Sul quando é Inverno no Norte. E o contrário. Sempre com sol. Com esplanadas e música e sumos de fruta. Sem açúcar. E gelados às 11 e meia da noite. E viagens de carro com a janela toda aberta e o bracinho apoiado. Na janela. Sinto-me como um recém-nascido nos primeiros minutos de vida. "Então foi para isto que me tiraram dali?" Não consigo disfarçar a desilusão. E os filmes do Woody Allen que não ajudam. Estão quase a tornar-se irrelevantes. E não é disso que todos fugimos, da irrelevância? Mas 2009 vai ser bom. Vai ser. Bom. Não sei. Sou feliz. Só não estou.
03/02/2009
Glasvegas - Glasvegas

Da recente fornada de bandas a irromper de solo britânico, os Glasvegas são talvez a mais esquecida mas também a mais consequente. O quarteto de Glasgow (que junta no nome a cidade natal e a capital do jogo, Las Vegas) tem o melhor da pop sintetizada dos Ting Tings e evita o pior da pop inofensiva dos Script. Nesta era em que o revivalismo é o novo chique, os Glasvegas tomam a poção mágica do rockabilly de 50 e deixam-se inebriar pelos vapores do shoegazing de finais de 80.
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discos
01/02/2009
noites em branco
Odeio dormir sozinho. Quem me conhece e a alguns dos meus vícios diários talvez nem desconfie mas é verdade. O facto de ter dormido sozinho a esmagadora parte da minha vida devia, mas não serve de grande consolo. Serve até mais de desconsolo, para dizer a verdade. Como dizia, os meus vícios do quotidiano não fariam prever tal atitude perante o sono. Sou um individualista, como já muitos me acusaram. Reconheço, é verdade. Mas se soubesses como cansa ser assim! Todos os dias. Não funciono sem uma chávena de café e um jornal para ler. O barulho das luzes e da publicidade e das televisões do metro e do rádio do comboio obriga-me a procurar refúgio no meu barulho, na minha música e a subtrair-me do mundo, como já meio mundo faz. Não resta portanto muito mundo por aí. Mas à noite, quando encontro os lençóis frios e sós, invento sempre mais um disco para ouvir, um filme para rever ou um post imbecil para escrever. Sou patético. Mas continuo a sorrir. Também porque sorrio.
I can get along without you very well
except sometimes
I can get along without you very well
except sometimes
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Esplendor na Relva
Animal Collective e a toca do lobo

Em mais uma edição atípica, o Coffee Breakz traz à antena uma mix alinhada pelos Animal Collective, que inclui passagens por J. Dilla, Syd Barrett, Arthur Russell e Spiritualized. Antes, vamos sentar-nos à lareira com M. Ward, Julie Doiron e David Byrne. Depois, fazemos café e bolachas para a menina Marissa Nadler e essa coisa estranhíssima que dá pelo nome de I.U.D., um cruzamento entre Gang Gang Dance e Growing.
01 Julie Doiron Consolation Prize
02 M. Ward Never Had Nobody Like You
03 David Byrne and Dirty Projectors Knotty Pine
04 Animal Collective mix (by Josh Deacon)
05 Marissa Nadler River of Dirt
06 Handsome Furs I'm Confused
07 I.U.D. Daddy
08 Peter Bjorn and John Lay It Down (The Golden Filter remix)

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emitido a 27 Janeiro
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Rádio Zero
Esperanza Spalding - Ponta de Areia

Quando o segundo álbum de Esperanza Spalding saiu, o jornal The New York Times escreveu que "Esperanza" (de 2008) faz uma síntese entre Stevie Wonder e Wayne Shorter. De facto, na música da contrabaixista norte-americana conseguem ouvir-se ecos da harmonia soul de Wonder e do jazz de fusão de Shorter. Mas as referências da precoce Spalding (aos cinco anos, já tocava violino como gente grande) não se ficam por aqui.
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Cotonete Play
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