Não é a primeira vez que acontece mas fazer uma versão dos My Bloody Valentine (MBV) é sempre corajoso. Os Nadja, um duo de Toronto, acabam de editar um álbum de versões, "When I See The Sun Always Shines On TV", que abre com uma reinterpretação da monumental 'Only Shallow' e ainda inclui versões dos Swans, Elliott Smith e Slayer, entre outros. Há um óbvio parentesco entre os canadianos e os irlandeses MBV: o conceito de shoegazing.
O escritor José Luís Peixoto tem razão quando escreve que «sem piedade, "Álbum Negro" é brutal mesmo nos momentos mais brandos, mais lentos». É quase desnecessário esclarecer que o termo "brutal" é aqui usado no sentido de "força bruta", não no sentido adolescente da coisa. A Bizarra Locomotiva regressa pois com a fuligem do metal industrial mais consistente do burgo e em 14 apeadeiros que são um estalo de sujidade, barulho e elogio da electricidade.
Ser capa da revista Wire não é para todos e menos ainda na área do hip-hop. Foi por isso com algum espanto que se viu a máscara de ferro de MF Doom na capa do número de Março de 2005. Já não acontecia há um ano (e não voltou a acontecer nas edições seguintes) mas ver os cLOUDDEAD em grande destaque sempre se compreende melhor. 2004 foi o ano da explosão do hip-hop mais cerebral, graças à hiperactividade dos membros do clã Anticon.
Gosto de cidades que me engolem. É assim em Lisboa, foi assim em Bergen e Nova Iorque. Estou certo de que será assim em próximas moradas. Nada é quase nada, é quase, quase tudo! E isto não vai acabar bem, já não está bem. E, às vezes, basta sentir os cristais de gelo sob os pés gelados, mais aquele ruído crocante de neve (já gelo) a estalar, para percebermos. Basta isso mas é sempre tudo tão pouco, Tudo é tão insignificante e efémero, tão infinitamente pequeno e desprezível. Não valemos nada. É ridículo como pensámos que conseguíamos mudar o mundo. Só porque, quando estendíamos o braço e apontávamos o céu, conseguíamos pegar na lua ao colo. Tudo não passa de nada, um glorioso e consumido nada. Isto não está a dar certo, não vai acabar bem, vai só acabar. Sinto um fascínio enorme pelas pequenas coisas - como as marcas de café na chávena, como os miúdos angolanos a dançar kizomba no vídeo dos Buraka, como (eu sei lá, eu não sei nada) uma página dobrada ao acaso num livro. Tudo não passa de letras, números e música. E a música é que nos mata!
E depois, às vezes, basta dizer que nasceu na Suécia para nos conquistar:
Nunca fui a nenhuma cidade da Suécia - tenho pena!
A hora que se segue começou por ser programada a partir do conceito de "femme fatale", que é também o título de uma música dos Velvet Underground com Nico (na foto). E então, alinhámos algumas das nossas mulheres preferidas: Bat For Lashes, Lykke Li, Neko Case, Nina Simone, Laurie Anderson, etc. Mas rapidamente perdemos o norte e o que ficou foi uma hora só com vozes femininas, onde menino não entra - ou só entra para ajudar em fundo.
01 Bat For Lashes Daniel 02 Lykke Li Little Bit 03 Neko Case Prison Girls 04 The Velvet Underground & Nico Femme Fatale 05 Cat Power Naked, If I Want to 06 Portishead Nylon Smile 07 Nina Simone Everyone's Gone to the Moon 08 Massive Attack Unfinished Sympathy 09 Sleater-Kinney Banned From the End of the World 10 Helium Cosmic Rays 11 Sugarcubes Birthday 12 Laurie Anderson O Superman 13 Celia Cruz Mi Bomba Sono 14 Midfield General w/ Linda Lewis Reach Out 15 Sara Montes Noches en Vela